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Biden se defende de relatório que critica sua memória
O presidente Joe Biden, visivelmente irritado, se defendeu, nesta quinta-feira (8), de um relatório que o exonera em uma investigação sobre manipulação indevida de documentos confidenciais, mas que o descreve como "um idoso" com "memória ruim".
"Sou bem-intencionado, sou idoso e sei o que estou fazendo. Sou o presidente e colocarei novamente este país nos trilhos", afirmou Biden em um discurso à nação.
"Minha memória é boa", afirmou, muito incomodado com o relatório que diz que ele esqueceu o dia da morte de seu filho Beau. "Como se atreve?", protestou.
No entanto, durante seu pronunciamento, Biden voltou a cometer uma gafe, a terceira em poucos dias. Desta vez, chamou o mandatário egípcio Abdel Fatah al Sisi de presidente do México.
Os comentários sobre sua idade e memória frustraram uma boa notícia: o procurador especial Robert Hur descartou apresentar acusações contra Biden por manipulação indevida de documentos confidencias.
A conclusão do relatório alivia um fardo sobre Biden, candidato à reeleição nas eleições presidenciais de novembro, quando provavelmente enfrentará seu antecessor republicano, Donald Trump.
No relatório, Hur considerou que o atual presidente tem uma memória tão prejudicada que nem sequer lembra quando foi vice-presidente e quando seu filho Beau, que morreu em 2015 vítima de um câncer, faleceu.
Uma porta-voz de Trump, Karoline Leavitt, reagiu publicando na rede social X: "Como se supõe que devemos confiar em sua capacidade para liderar nosso país se sua memória tem 'limitações significativas'?!?".
Os republicanos classificaram o documento como "profundamente preocupante".
"Um homem tão inapto para prestar contas pela manipulação indevida de informações confidenciais certamente não é adequado para o Salão Oval", avaliou o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson.
Hur foi nomeado em janeiro de 2023 pelo secretário de Justiça, Merrick Garland, depois que documentos secretos foram encontrados em uma casa de Biden em Wilmington (Delaware, nordeste), e em um antigo escritório. Eles datam do tempo em que ele era vice-presidente (2009-2017) de Barack Obama.
O relatório de 388 páginas afirma que Biden "intencionalmente reteve e divulgou materiais confidenciais" após deixar a vice-presidência, muito antes de derrotar Trump em 2020.
Hur, anteriormente designado por Trump como procurador-geral do estado de Maryland, explica que agentes do FBI recuperaram documentos sobre assuntos militares e política externa no Afeganistão, entre outros assuntos.
- Diferença com Trump -
"Concluímos que as evidências não são suficientes para condená-lo e excluímos recomendar processar Biden por reter os documentos classificados do Afeganistão", afirmou.
Hur também descartou a possibilidade de Biden ser condenado por um júri.
Para os investigadores, o presidente democrata parece ser um "idoso compreensivo, bem-intencionado e com memória ruim", destaca o relatório, que considera "difícil convencer um júri a condená-lo" quando tem mais de 80 anos.
Hur afirmou enxergar diferenças nos escândalos de documentos secretos de Biden e Trump.
De acordo com a acusação, Trump "não só se recusou a devolver os documentos por muitos meses, mas também obstruiu a justiça contratando outros para destruir provas e então mentir sobre isso".
"Pelo contrário, Biden entregou documentos classificados aos Arquivos Nacionais e ao Departamento de Justiça, aceitou buscas em múltiplos locais, incluindo suas casas, compareceu a uma entrevista voluntária e cooperou de outras maneiras com a investigação", detalha.
Trump, de 77 anos, se declarou inocente em junho de múltiplas acusações de retenção ilegal de informações de defesa nacional, conspiração para obstruir a justiça e declarações falsas.
O procurador especial Jack Smith o acusa de ter colocado em perigo a segurança nacional ao reter informações nucleares e de defesa ultrassecretas após deixar a Casa Branca. O ex-presidente deverá ser julgado em maio.
R.Braegger--VB