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Candidato à presidência é sepultado após homenagem pública no Equador
O corpo do candidato à presidência do Equador Fernando Villavicencio, morto a tiros na última quarta-feira, foi sepultado nesta sexta-feira, em Quito, após uma homenagem de centenas de apoiadores, que pediram justiça.
O enterro, privado, aconteceu à noite, na presença de poucas pessoas, em um cemitério do norte da capital. Antes, o caixão com o corpo foi levado para o auditório de um centro de exposições, em meio a denúncias dos irmãos do candidato de que não foram autorizados a participar do velório íntimo devido a diferenças familiares.
No local das homenagens, apoiadores de Villavicencio agitavam pequenas bandeiras do Equador, que enfrenta uma onda de violência ligada ao narcotráfico. Grandes faixas com o rosto do político foram colocadas nas paredes. "Meu poder na Constituição", dizia uma faixa presidencial simbólica colocada sobre o caixão, coberto com a bandeira nacional.
Um telão exibia vídeos do candidato em sua campanha para as eleições gerais antecipadas de 20 de agosto, nas quais ele aparecia como segundo colocado nas intenções de voto. "Anteontem crivaram a democracia, mutilaram parte da luta contra a corrupção", disse seu chefe de campanha, Antonio López.
"Lutarei até identificar os culpados e não deixar isto impune", prometeu o jornalista Christian Zurita, com quem Villavicencio conduziu uma investigação que levou ao banco dos réus o ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), condenado à revelia a oito anos de prisão por corrupção.
Villavicencio era ex-membro da Assembleia Nacional, dissolvida por Lasso em maio para pôr fim a uma "crise política grave", o que deu lugar a eleições antecipadas. Tamia, 27, filha do candidato, lembrou a última conversa que teve com o pai, que a incentivou a estudar música.
"Com lágrimas nos olhos, ele nos disse: 'Fui mais do que imaginava'", contou Tamia. Fora do velório, ela cantou uma música em memória de seu pai. "Ele nos ensinou a viver sem medo, que isso seja a nossa maior proteção na vida", lembrou.
L.Janezki--BTB