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UE defende imposto sobre o carbono na COP30, que entra em fase decisiva
A União Europeia defendeu, nesta segunda-feira (17), que chegou a hora de precificar o carbono, uma proposta recebida com receio na COP30, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Belém, que entrou em sua fase decisiva.
A ONU, por sua vez, advertiu para o risco de obstruções em temas como a adaptação às mudanças climáticas e as finanças, questões-chave das negociações, que oficialmente terminam na próxima sexta-feira (21).
Nesta segunda, a COP30 passou para o nível ministerial e a presidência da conferência, a cargo do Brasil, anunciou que fará sessões noturnas para ampliar os debates.
O anfitrião também aproveitou a sessão plenária para apresentar aos outros países recantos naturais da Amazônia, imortalizados pelo renomado fotógrafo Sebastião Salgado, falecido em maio passado aos 81 anos.
"Peço-lhes que abordem rapidamente os temas mais difíceis", disse o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Simon Stiell. "Não podemos nos dar ao luxo de perder tempo com obstruções", acrescentou.
- Protecionismo -
Uma das medidas ambientais da UE, conhecida como "imposto sobre o carbono" das importações, é um dos pontos de atrito em Belém.
"A precificação do carbono é algo que devemos buscar com o maior número possível de países e o mais rápido possível", disse Wopke Hoekstra, comissário europeu do Clima, entre os presentes na reunião.
O argumento dos europeus é que permitir a entrada de produtos que não atendam aos padrões ambientais da UE representa uma concorrência desleal.
China, Índia e outros países aliados consideram que esse Mecanismo de Ajuste na Fronteira por Carbono (CBAM), da UE, é na verdade uma barreira ao comércio.
Em fase de testes desde 2023, o CBAM se concentra nas importações de produtos que geram altas emissões de carbono, como o aço, o alumínio, o cimento, os fertilizantes, a eletricidade e o hidrogênio.
Sua aplicação integral está prevista para 2026.
"Muitas delegações fizeram referência explícita ao CBAM da União Europeia como o novo capítulo" no tema do protecionismo, explicou à AFP uma fonte negociadora latino-americana sob a condição do anonimato.
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No entanto, grandes economias, da China à Arábia Saudita, não querem uma decisão que implique que até agora não estão fazendo o suficiente.
Por fim, muitos países do Sul, especialmente os africanos, querem lembrar aos países desenvolvidos a insuficiência de seu financiamento para os países em desenvolvimento.
O Brasil também pretende levar adiante um "mapa do caminho" para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, cujas emissões são as grandes responsáveis pelo aquecimento global.
- "Arca de Noé" -
É "uma espécie de Arca de Noé para que a gente possa olhar para nós mesmos e dizer [que] cada um de nós construiu esse processo", disse a ministra de Meio Ambiente e Mudança do clima, Marina Silva, referindo-se ao mapa do caminho.
A iniciativa é apoiada por países como França, Espanha e Colômbia, mas enfrenta a oposição de grandes produtores de petróleo, como a Arábia Saudita.
"A ideia é ver de que maneira costuramos esse mapa do caminho, definimos um calendário e marcos concretos", algo fundamental para manter "viva" a meta do Acordo de Paris de conter o aquecimento global a +1,5ºC, disse a ministra espanhola para a Transição Ecológica, Sara Aagensen.
Nesta segunda, centenas de indígenas marcharam em Belém para pedir que os combustíveis fósseis sejam deixados para trás, e especialmente a exploração de petróleo na Amazônia, a maior floresta tropical do planeta.
"Manter a floresta em pé é manter a gente em vida, é manter nosso futuro", disse à AFP João Gabriel Gama, de 20 anos, indígena do povo Kumaruara, do Pará.
Os indígenas criticaram o projeto de exploração de petróleo na bacia da foz do rio Amazonas, aprovado recentemente e apoiado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
P.Keller--VB