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Petrobras anuncia licença para explorar petróleo na Margem Equatorial
A Petrobras anunciou, nesta segunda-feira (20), que recebeu uma licença para iniciar a perfuração de "um poço exploratório" de petróleo em águas profundas do Amapá, a aproximadamente 500 km da foz do rio Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.
"A Petrobras atendeu a todos os requisitos estabelecidos pelo Ibama, cumprindo integralmente o processo de licenciamento ambiental", afirmou a empresa em um comunicado enviado à AFP às vésperas da COP30, a cúpula climática da ONU, que será realizada em novembro em Belém do Pará.
O órgão ambiental autorizou a perfuração de um poço exploratório em águas profundas da Margem Equatorial, próximo à foz do caudaloso rio Amazonas, um projeto que tem colocado o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em conflito com ambientalistas.
Segundo a Petrobras, a perfuração está prevista para começar "imediatamente" e sua duração estimada é de cinco meses.
Esta região, situada a 175 km da costa, faz parte de uma vasta área marítima denominada Margem Equatorial, onde a Guiana e o Suriname já descobriram enormes reservas de petróleo.
O potencial destas novas jazidas é considerável, estimado em 10 bilhões de barris.
A exploração desta nova fronteira petrolífera no Brasil pode parecer um paradoxo para um país que tenta se posicionar na vanguarda da luta contra o aquecimento global, intensificado pela queima de combustíveis fósseis.
O Brasil sediará entre 10 e 21 de novembro a COP30 na cidade amazônica de Belém.
Frente às críticas dos ambientalistas, o presidente Lula afirma que a exploração de hidrocarbonetos é necessária para financiar a transição para fontes limpas de energia.
Em 2023, o Ibama já tinha negado à Petrobras uma licença exploratória, alegando que a empresa não tinha apresentado as garantias necessárias para proteger a fauna no caso de um vazamento de petróleo.
A Petrobras apresentou um recurso para que esta decisão fosse reconsiderada e Lula aumentou a pressão, ao afirmar que o Ibama é um órgão do governo que agia como se fosse "contra o governo".
Em fevereiro, uma nota técnica do Ibama à qual a AFP teve acesso recomendava negar a licença ambiental, ao ressaltar o risco de perda maciça de biodiversidade em um ecossistema marinho altamente sensível.
A aprovação da licença ocorreu após testes prospectivos realizados pela Petrobras em agosto, com os quais a empresa buscou demonstrar sua capacidade de responder a um possível vazamento.
O Brasil é o maior produtor de petróleo da América Latina, com 3,4 milhões de barris por dia em 2024, embora sua matriz energética seja baseada majoritariamente em fontes renováveis.
U.Maertens--VB